sábado, setembro 18, 2010

Em vida




Quero o que da vida ela me quiser
Não a quero com medidas
Apenas há um querer implícito em apenas querê-la.
E por demais me tenho em trilogia
Se assim não me seja dado o prazer
Menos a quero
E se o tanto de assombro desmorone
Que eu seja sortilégio e desumano
Há vestígios na alma que me tornam poeta
e com o passar menos humano
Há profundos enganos nesta gota que me banho
De não mais me caber,
ainda sinto que amo.
E por amar ainda se vale viver.

Cecília Tavares
18.09.10

sexta-feira, setembro 10, 2010

Entre Cores




Eles estão me conhecendo antes de serem escritos,
Conceberam-me para discípulo,
Eles me elegeram no partido autoral,
Intitularam-me poetisa.  
Banal,
Deixam-me com tintas e cores nas mãos,
Não sabiam, mas me fizeram ter vida.
Embrulharam-me pra fazer sentido.


Tavares, Cecília.
Recife, 10 de setembro de 2010.


quinta-feira, setembro 09, 2010

Conto 1




Para Judite de Moraes





Amei-te como se fossemos morrer no mesmo dia, na mesma hora que passa. Não contei com o perder, com esse vazio. Não esperava o perfume no silêncio, não imaginei o desassossego. Não sei onde encontrar olhos com tanta exatidão, amor, mas é tarde. Hoje faz frio e essa janela quebrou seus vidros, hoje vai fazer sol, mas sua boca não vai ver. Hoje o meu vermelho perdeu sua cor, meu caminhar não tem aonde chegar. Por fora posso enganar bem, posso fazer minha caminhada, olhar os outros e camuflar o meu vazio, mas é tarde. Não escapei ileso, compreendi que o fim não faz rima com morte. Querida, tenho que aceitar uma xícara no café da manhã, uma fatia de bolo, um lado só da cama. Tenho que aceitar uma passagem de férias, uma poltrona na sala. As rugas. Enxergar sozinho. Querida, (não quero mais ficar aqui, não preciso dizer que essa carta nunca te enviará mensagem alguma), quando você se foi, levou não só o que éramos, mas o que passei o resto da vida procurando voltar a ser. Hoje faríamos 69 anos, lembra? Ainda coloco duas velas. A Vilma se lembra da Vilma?Ela fez sua metade do bolo, creme com avelã, nunca gostei, mas sempre comi o primeiro pedaço, nunca te disse, mas é verdade. Estou muito contente essa manhã, só telefonei duas vezes para os meninos, só lembrei-me de tomar um remédio e sinto os meus pés saindo do chão. Coloquei um recado para Vilma. Lá eu disse que não ficasse triste, não chorasse muito, não desse o teu vestido. Sabe querida, cheirei durante todos esses anos, o pedaço que mais guardava teu cheiro era o lado direito, você sempre usou bastante perfume. Depois de um tempo esse teu cheiro foi o cenário do meu silêncio. Ninguém vai sentir saudade de mim, só a Vilma, talvez à síndica. Nunca faltei uma reunião. Mas cansei de escrever, as pontas dos dedos estão geladas, o frio já consome meus olhos, estamos bem perto de nos ver, desculpe querida, sei que não é a minha hora, mas faz 39 anos que estou adiando esse reencontro.


Souza Moraes.

quarta-feira, setembro 08, 2010

Partilhas



Os ponteiros estão parados. Suas palavras rasgando meus pulsos e ouvidos,seus bilhetes envenenando minha geladeira de vidro,eu muito bem guardada no pote,você muito certo do jornal das seis.Eu  quase grávida do Pedro,você mais sem graça que feriado na terça.Os ponteiros estão sumindo, anônimos para meus olhos. Resolvo cortar sua língua, cortando assim o meu corpo,eu respirando esse maldito vício, você embalando um filho, esse vinho parecendo sangue,eu secando.Esse sorriso quase mórbido,nossos corpos juntados as montes,salvos pelo vinculo. Os abutres rondando pertences, o chaveiro já mudou de porta, e cópia,essa ficou suspensa por esse mês.Nós sucumbimos.Indicativo do perfeito.Pode não ser o seu,mas será o nosso.Pode não ser o Pedro,que é filho do Jorge.Pode não ser Maria,ela veio comigo.Pode constituir um advogado,caso desfeito. Você errou na hora exata,no segundo atrasado,no lançamento errado das palavras.Eu,eu até sinto-me culpada,mas pensando rasteiro,não sinto nada.
Os ponteiros estão voltando ao lugar,eu fico,estou cansada de movimentos bruscos.
Os ponteiros estão errados,eu sei.Falta muito.Sempre falta.

Cecília Tavares
08.09.2010

sexta-feira, setembro 03, 2010

Gente Humilde Composição:Chico Buarque e Vinicius de Moraes




Tem certos dias
Em que eu penso em minha gente
E sinto assim
Todo o meu peito se apertar
Porque parece
Que acontece de repente
Como um desejo de eu viver
Sem me notar
Igual a tudo
Quando eu passo no subúrbio
Eu muito bem
Vindo de trem de algum lugar
E aí me dá
Como uma inveja dessa gente
Que vai em frente
Sem nem ter com quem contar
São casas simples
Com cadeiras na calçada
E na fachada
Escrito em cima que é um lar
Pela varanda
Flores tristes e baldias
Como a alegria
Que não tem onde encostar
E aí me dá uma tristeza
No meu peito
Feito um despeito
De eu não ter como lutar
E eu que não creio
Peço a Deus por minha gente
É gente humilde
Que vontade de chorar

domingo, agosto 29, 2010




"A dor torna-se todos os motIvos quando não passou,
Enferma na sua essêncIa possuI várIos sIntomas,
Chega, aloja-se. Ocupada com suas próprIas devastações.
Morrer para uma dor é sepultar raízes."


Tavares, CecílIa.
29.08.10

Poesia





Minha natureza não mudou, só simplifiquei.
Buscava sonhos em promessas, hoje sonho com o conquistei.
O espaço branco, lírico. Rio límpido que navego
Que caminhos belos e tortuosos teus braços me levam
Posso sentir o calor, posso dormir e permanecer a observar seu esplendor
Nas manhãs que reservam teu acalento renasce em mim tua magnitude.
Ressurge no gole do café, no passeio matinal, nas portas aberta das minhas varandas.
 Exaltar tua presença é ratificar minha existência.
Seria menos eu se não fosse tu, rendido as tuas graças não tenho pudor algum,
Só no teu corpo embriagada estou.

Tavares, Cecília.
29.08.10

sábado, agosto 28, 2010





Como agir em tão silencioso momento?
Há uma completude que só na tua presença explica-se.
E na ausência amplia como os ecos.
Na sua vida cheguei ao meio,
Só sei lamber palavras, cheirar livros e alimentar pássaros.
Custa-me caro.
O silêncio vai sempre me adiando
Peço-te
Sinta-me além da tua clareza.

Tavares, Cecília.
28.08.10  





Colhedora dos sentidos, inadequada.
Paráfrase de si mesma.
Labuta da minha existência bruta
Com você cultivo cactos.


Tavares, Cecília.
Manhã. 28.09.2010

domingo, agosto 22, 2010



                                A casa

O reduto que me vejo é passageiro, passante com medo, medo sem ontem e vertente do cedo.
O espaço que me habito é constante assombro, à noite me grito, no dia me escondo-sinto as paredes rebatendo meus sonhos.
Brigo com elas, choro com elas, me emolduro entre as janelas, respiro.
Há um lugar que não visito, sei onde fica sua porta, possuo sua chave, mas não me atrevo.
O medo que impulsiona é o mesmo que faz recuar, a certeza que direciona é a arma que faz atirar contra.
É preciso ter intrepidez para arriscar, ainda não tirei minha roupagem humana, com pele e ossos não vou passar.
Certo dia ele deixou minha alma vagar, voltei atordoada da gama do que em mim não sei contar.
Há certo receio, certo pavor,aquele momento exato que paro,penso, e não vou.
Existe um eu que não conheço,mas quando em sonho vejo,tenho certeza que sou.
Palpitante, pés descalços, paredes me espremendo e pronto - fui
Minha pele caiu no primeiro passo, à vida no segundo levantar dos olhos,
Meu espanto no primeiro sorriso viu a raiz de uma árvore que do chão batido brotava, deixava que a luz da janela batesse,podia até sentir a brisa, observar os pássaros, beber da salgada água que dos meus galhos às vezes brotava.
Livre como nasci, verde, amarela e vermelha como cresci, mordida em partes - foi assim que me vi
Olhei cada folha, toquei marca por marca do tronco- fazendo em círculos minha caminhada...
Voltei para o começo, passei pelo meio e não vi a chegada,
Então tive certeza que não apodreci, mesmo quando fui mutilada.
Como é bom não ser eu para me ter por inteira.

Cecília Tavares
12h17min 22. 08.2010

sexta-feira, agosto 20, 2010

Aquele a quem se fala





Quando sozinha ainda me tenho
Embora meio perplexa de ser
Mas verdadeiramente sou concebida no instante que te vejo

Situando-me na correnteza
Vejo que é preciso represamento
Mitigar essa dor

Estou espalhada nas águas que me evaporam
Sou névoa fragmentada por mim

Perdidamente lamento viver
Encantada por tanto flórido

 Há um cortiço de sentimentos seus em mim

Há dor sobrando na palavra
Que parece mixe
Quando tenho você

Faz falta a tua fala
Fagulha incandescente que me salta
Meu corpo é brasa
Extasiado com suas proximidades
Belos ecoantes silêncios das tuas chegadas


Novamente nasci

Mas não há tanta alegria
Tenho monofobia de mim

Preciso de uma vazão
Meu sangue é rio seu

Mas nas minhas barragens
Você provoca estesia

Como te deixar sangrar de mim?

Não posso fundear junto com você
Posso me encontrar desfigurada demais

E se o eu não me quiser de volta?

Meu âmago,
Não me chegue mais sem volta.
Vivo em sua presença

Lentamente as rochas rolam fechando as comportas
Sinto seu amavioso abraço
E não mais quero me ter


Alma incompleta do meu entrecasco,
Sei que não é seguro,
Mas não aprendi a represar fascínios.

Cecília Tavares
12h45min
 20.08.10




quinta-feira, agosto 19, 2010

Café da Manhã -Roberto Carlos

Hoje,gostaria de um café da manhã assim,como tivemos...


Amanhã de manhã
Vou pedir o café pra nós dois
Te fazer um carinho e depois
Te envolver em meus braços
       E em meus abraços
Na desordem do quarto esperar
Lentamente você despertar
E te amar na manhã
Amanhã de manhã
Nossa chama outra vez tão acesa
E o café esfriando na mesa
Esquecemos de tudo
Sem me importar
Com o tempo correndo lá fora
Amanhã nosso amor não tem hora
Vou ficar por aqui
        Pensando bem
Amanhã eu nem vou trabalhar
E além do mais
Temos tantas razões pra ficar
Amanhã de manhã
Eu não quero nenhum compromisso
Tanto tempo esperamos por isso
Desfrutemos de tudo
          Quando mais tarde
Nos lembrarmos de abrir a cortina
Já é noite e o dia termina
Vou pedir o jantar

sexta-feira, agosto 13, 2010

Encantar-se






Te querer é como definir literatura,
Não é preciso.
Apenas, e somente assim sendo, buscar os diversos significados.
Exprimir o universo imaginário é não limitar seu encantamento.
Sou jogadora de muitas palavras, não caberia em um só tabuleiro.
Mas,assim como nos jogos; o amor tem cartas marcadas,vícios deixados, singelas marcas desfiguradas a olhos nus.
E o que fazer com tanta luz?
Lucidez não combina com loucura, mas quem disse que loucos somos?
Estúpidos, lúdicos, sedutores até aceito, mas lúcidos?
Não, isso é para poucos.
Somos poetas.

Cecília Tavares
13.08.10
22h15min

quinta-feira, agosto 12, 2010

Cartas na mesa




Tenho uma consulta marcada com meus pensamentos,
Marcamos uma hora exata,
Mas 15h30min é muito cedo!
Ainda não levantei da cama, falta tomar banho e escovar os dentes.
Vou segurando meu ânimo, que anda saltando do rosto para não emcabular essa gente.
Felicidade demais incomoda.
Como normalmente faço, abri meu leque de possibilidades,
Sobrei na escada,
Foi gente correndo de um lado e eu sorrindo do outro.
Não sei segurar minhas pernas e caminho como um lobo.
Só enxergo bem à noite.
Adoro lê um jornal, mas tem gente morrendo demais,
Comida faltando demais, 
Pessoas sorrindo pra gente.
Sou avessa as plásticas sociais.
Estou fechada em copas
e
Sobrando uns “ais”...
 na espada.

Cecília Tavares
12.08.2010
09h00min

SANIDADE MENTAL



Sou culpada.
Cheguei ao cartório,
Fui me registrar.
Documentaram minha insanidade,
Mas que loucura!
Não comecei a falar.

Cecília Tavares
12.08.2010
08h34min

quarta-feira, agosto 11, 2010

Um sim todos os dias...






Tem um sujeito olhando cartazes,
Vou te anunciar.
Quem sabe amanhã dou sorte
e venham te levar.

Vou colocar no mercado em frente,
Não quero correr o risco.

Pode embalar.
Estou colocando cabeça,
Tronco,
Olhos
E
Sobrancelhas,
Vou fazer melhor, pode completar.

Mande entregar na minha casa, moço.
Estou esperando quando o sol baixar.
Tem problema que seja à noite?
De forma alguma, estou ocupado em me reformar,
Está sobrando pano nas minhas fantasias,
Veneno no meu dia após dia.

Moço, não se assuste.
Um dia acordamos para a mesma vida.
Para as mesmas pessoas.
Para dizer ao nosso poço que não seja tão fundo.

Um dia, querida minha, anunciamos em todos os cantos,
Vendemos os nossos escombros e não pedimos nota fiscal.
Um dia como o de ontem,
Não cabe dentro do mês,
Não tem nenhum freguês,
Mas eu sou outro.

E você, a mesma mulher minha,
De todos os dias,
Mas com cara de novo.

Não preciso deixar você,
Mas preciso saber o teu valor
Todos os dias.

Cecília Tavares
11.08.2010
11:36


Bem,hoje são duas postagens,gostaria de continuar escrevendo,mas tenho muito trabalho.
Mas,não consigo deixar os poemas.rs.
Ah!Deixo  frases do mestre para vocês.
Grande Beijo.

“A arte existe porque a vida não basta” 


“A poesia nasce do espanto. Entro num barato. É como se estivesse
começando do zero” 


“É bom fazer poesia: Ninguém te obriga”


 Poeta Ferreira Gullar

O que há!


Há pessoas que perdem a cabeça,
o sono,quem sabe o ar.


Há pessoas vivendo do menos e 
não sabem ganhar.


Há apenas um grande gatilho,
embora sejam vários momentos.

Vamos disparar?




Cecília Tavares
11.08.2010
11:10

domingo, agosto 08, 2010

Coisas Demais






Você pretende me encontrar,
Me colocar um status,
Guardar meus medos,
Trancafiar o meu passado.

Você pretende me jogar no cárcere
E
Engolir meus seios.

Você pretende coisas demais
E eu
Não tenho tempo.

É melhor me sentir com medo,
Chupar cada pedaço
E
Deixar as chaves com o porteiro.
Já vou
É
Tarde.


sábado, agosto 07, 2010


A LISTAOswaldo Montenegro

Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais...



11 anos de amizade,anos de muito carinho e amor,parabéns meu gordinho,felicidade sempre!
TE AMO!